quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Recompensas

Apesar de todo trabalho árduo, há sempre ocasiões em que conseguimos encontrar motivos para continuar. Nesta semana, tive dois grandes motivos:

1º Eu estava organizando algumas fotos de trabalhos dos meus alunos. Ver o capricho, o cuidado, a criatividade quando querem surpreender, é muito bom. Dá uma sensação de tarefa bem cumprida, bem executada. É revigorante quando conseguimos alcançar nossos objetivos, o que, infelizmente, nem sempre acontece.

2ºApós explicar as atividades que deveriam ser feitas, dirige-me à mesa do professor. De repente, uma aluna se levantou e foi até mim. Deu um abraço forte e me disse, tão carinhosa e sinceramente:

"Tia, eu te amo!"

Isso sim vale qualquer trabalho. Isso sim me faz lembrar o motivo de ter escolhido essa profissão.

Dia do Professor

O dia 15 de outubro é destinado à lembrança dos professores. Eu estava vendo televisão, à noite, esperando ver se algo seria comentado. Quão grande foi minha decepção!

No jornal regional, uma notícia de uma professora que havia chamado a polícia para uma criança. No jornal Nacional, uma notinha no final do noticiário de uma senhora de 90 anos que está aprendendo a ler e sua professora, sem citação alguma à data comemorativa. E as autoridades? Nenhum pronunciamento.

Fiquei indignada.Primeiramente, por ser professora. E também por que a educação sempre foi muito importante para mim.

É revoltante o descaso que se tem com a educação. Para criticar não falta quem se habilite. Mas, quem está disposto a ajudar efetivamente? Quem reconhece um trabalho bem feito? Se os alunos se empolgam, se interessam, aprendem, não fizemos mais que nossa obrigação. Mas basta um pequeno deslize ( nota: deslize, não erro), não falta pedras para serem atiradas. Temos que ser professores dentro e fora de sala. Impecáveis, sempre.

Onde podemos encontrar uma motivação para continuar na profissão? No salário que há tempo é motivo de piada nacional? Nas condições de ensino? Nos alunos conscientes da importância do estudo, responsáveis e comprometidos?

O trabalho se torna ainda mais difícil quando chegam até nós alunos cujos pais delegam toda a função de instruir os filhos, não apenas cultural, mas etnica e socialmente também.

Realmente, o magistério é mais que uma profissão. É vocação, missão, calvário.

Professor ouve cada uma...

Gosto muito de trabalhar Português com a disciplina de Arte.Tenho o privilégio de contar com uma colega que também gosta de trabalhar conjuntamente. Sempre inventamos algo para abordar nas duas disciplinas.

No momento, estamos planejando um concurso de Poemas com o tema "Primavera". Para isso, contaremos com o professor de Ciências também. Resolvemos fazer um grande mural para alegrar a escola. Os alunos pesquisaram figuras que representam a estação. Precisávamos de uma frase para dar nome ao nosso trabalho. Propusemos que os alunos fizessem frase com o tema Primavera para selecionar a melhor.

Fim da aula. Menos de 20 minutos para os alunos saírem enlouquecidos para casa. Eu explicava a questão da frase título do mural, quando uma aluna resolveu fazer graça:

"Eu tenho uma prima que se chama Vera. Outro dia, ela foi em casa e eu disse:
- Oi, Prima Vera!"

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta de aluno para professora

Após ter postado textos com temáticas de separação, de despedida, é hora de celebrar a vida. E principalmente a vida irreverente, sincera e alegre que nasce nas salas de aula.
Eu trabalhava com meus alunos o gênero carta. Pedi que escrevessem cartas para quem desejassem. Um aluno resolveu mandar carta para a professora. Transcrevi um pouco da carta abaixo:

Olá! Tudo bem com você? Comigo está tudo bem.
Você é a professora que eu mais gosto.
Tia, você dá aula de tarde?
Você é uma professora mais legal, mas às vezes, você é um pouco chata, mas você é legal.
Tia, como está a aula de Português nas outras salas, em nota? E a nossa? Está bem?
Você foi uma das professoras mais legais que eu tenho. Eu queria que você desse aula pra mim até eu terminar de estudar por que você é muito legal.

Beijos de seu aluno...

domingo, 23 de agosto de 2009

Homenagem a uma amiga que parte

Há coisas que acontecem em nossas vidas que não têm explicação, que vão além da nossa capacidade de entendimento. Uma dessas coisas foi o sofrimento e a morte da Simone Barbosa.

Simone, 26 anos de doçura, de meiguice, de amizade, de fé em Deus e entrega a Ele. Quanta lição! Quanto nos ensinou através de sua maneira de enfrentar o sofrimento! Mesmo com toda dor, com todas as dificuldades, mesmo assim, sabia encontrar palavras de consolo, de incentivo. Pouco tempo após ter amputado o braço, disse com a maior fé e sinceridade: “Entregue-se a Deus. Quando nos entregamos a Ele, sentimos uma paz enorme.” Como uma pessoa que havia sido mutilada, conseguia falar em paz enorme? Só mesmo alguém que tivesse em contato intenso com Deus.

A beleza de sua voz não estava só no timbre e na afinação, mas na serenidade, na fé com que enfrentava as dificuldades, e principalmente, na força que encontrava para louvar seu Deus que tanto a acompanhou.

Difícil sentir a presença de Deus no seu sofrimento. Como entender que uma pessoa tão doce, tão amável pudesse sofrer tanto? Mas, além de sua doçura, havia uma força escondida que só poderia vir do Pai Eterno e Misericordioso que ela tanto amava e que agora a acolhe.

Pedimos muito um milagre. Ansiávamos por um milagre. Milagre que não retirasse seu braço, que a curasse da doença, que permitisse que ela vivesse muito e saudável. Mas não era esse milagre, assim como queríamos, que viria para diminuir seu sofrimento.
A própria vida foi um milagre. A fé, a força, a serenidade, a esperança, aí sim é que estava o milagre. A vontade imensa de viver, toda força na luta contra o câncer, a aceitação. A doença a aproximou mais de Deus. Sua postura perante à dor foi exemplo que nos fez refletir sobre nossas próprias vidas e, pensando nela, nós também tentamos nos aproximar de Deus.

Difícil é entender como pessoas tão iluminadas sofrem tanto e partem tão cedo. Mesmo sentindo que você, querida Simone, agora está em paz e livre do câncer, não há como impedir o choro, a nossa tristeza pela separação e a saudade.
Mas, pensando nisso, vem à mente uma música já cantada por você, em um momento especial, no Encontro de jovens:

“Abriu minha visão o jeito do amor (...) quando quer acontecer, derruba as barreiras. Para o amor não existem fronteiras. (...) Não tem hora de chegar e não vai embora. Chamou minha atenção a força do amor, que é livre pra voar, durar para sempre. Quer voar, navegar outros mares. Dá um tempo sem se ver, mas não se separa. A saudade vem, quando vê, não tem volta. (...)
Sei, não é questão de aceitar, se não sou mais um a negar. A gente não pode impedir, se a vida cansou de ensinar: sei que o amor nos dá asa, mas volta pra casa.”


Sua vida foi marcada pelo amor. O seu amor a Deus, às pessoas próximas, à vida, e também todo amor que recebeu em troca. Esse amor não morre, permanece na lembrança de todos que amaram você, aqui. Esse amor derruba as barreiras da separação, supera as dificuldades da ausência, mas não nos separará de você, que estará sempre em nossos corações. Ainda é muito difícil aceitar, mas você é um anjo, Simone. Foram as asas do seu amor que a trouxeram para perto de nós. Mas, volta pra casa. Volta para perto de Deus, que é o lugar onde pessoas iluminadas como você merecem estar.
Vá em paz!!!!
Nós amamos você!!!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Homenagem à mamãe...

Todo dia 28 de julho é difícil para mim. Embora já se tenham passados 15 anos, ainda é duro lembrar que não tenho mais minha mãe. Queria ter feito uma homenagem ontem, mas uma dor de cabeça forte não deixou, sinal de que algo não estava bem. E como poderia estar, né? Mas, se a emoção me deixar, vai aqui o registro da falta que você me faz, mamãe.

É duro, mamãe, não mais sentir seu cheiro de mãe; não ganhar seu abraço caloroso e contar com sua mão para me acalentar, consolar, proteger.

Não tenho mais para onde ligar e ouvir sua voz tão bonita, voz que quando cantava fazia com que eu me orgulhasse exageradamente. Para quem, agora, vou pedir que cante bem alto, superando as outras vozes, nas procissões?

Quem irá acender a luz do meu quarto, à noite, para ver se eu estava bem, e acabar me acordando para me dar um beijo? Quem rezará para eu dormir?

Quem cuidará de mim quando eu estiver doente, ou simplesmente me sentir perdida, triste? Quem será meu porto? Quem voará comigo?

Quem ouvirá meus segredos e terá orgulho de mim, querendo me apresentar para todos, como uma bonequinha? Eu era sua bonequinha, né, mãe? Por que deixou de brincar comigo? Por que me deixou sozinha?

Como era mesmo sua voz, seu cheiro? Já não me lembro... Era muito pequena quando você foi e já faz tanto tempo.... No entanto, sua lembrança ainda está aqui. Gosto de ver seus traços em mim, de me parecer com você. Como me alegra, quando o papai fala: "Nossa, como você lembra sua mãe. Fez tal coisa como ela!" É uma forma que tenho para ter você mais perto, de senti-la um pouco presente.

Quanta falta você me faz!!!! Como machuca sua ausência!!! Que saudade imensa que sinto de você!!!! Como é ruim não ter mãe!!!!

Você estará sempre em minhas falas, em minhas lembranças e sempre tirará várias lágrimas desta sua filha que segue, sofrendo sua ausência e sonhando com a possibilidade de um dia poder estar realmente perto de você.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

FÉRIAS

Certo dia, ouvi de alguns paulistas que a melhor coisa de Minas é a estrada que leva para São Paulo. Obviamente, não gostei do comentário, afinal, bairrista como todo mineiro que se preze, acho mesmo que "Oh, Minas Gerais, quem te conhece, não esquece jamais."
Mas, essa frase, para mim infeliz, serviu de mote para outra: A melhor coisa da escola são as férias...
E melhor mesmo que as férias em si, é o último dia de aula. Saber que no dia seguinte, não se tem que acordar mais cedo, não há grandes compromissos. A sensação de fim de jornada, de tarefa realizada com a esperança de um futuro recomeço.
Férias é tempo de ler; de ver tv e ficar na net sem culpa; de sair para a rua; de visitar os amigos; de viajar; de comer; de dormir, dormir, dormir; de não fazer nada...
E depois de fazer ou deixar de fazer coisas, é tempo também de se cansar e sentir uma saudade danada da vida antes das férias.